terça-feira, 24 de junho de 2008

Entidades / Divindades


Diálogo entre um Lama budista e seu discípulo:


O discípulo pergunta:


-As divindades (deities) não são fruto da imaginação?


O Lama responde:


-E todas as coisas não o são?


quarta-feira, 18 de junho de 2008

A Cabala Hermética


A Cabala é um livro? Não, a Cabala não é um único livro, apesar de ser relacionada à Sepher Yetzira. A Cabala não é um único livro, nem mesmo uma concepção mística simplística. Podemos dizer que ela é toda uma filosofia de pensamento e ação, englobando toda uma concepção do universo. A Cabala é também uma descrição do Universo e das forças que nele operam. Praticantes da tradição hermética de magia utilizam a Cabala praticamente. Assim, falamos de um tradição própria de Cabalistas Herméticos, Magistas que utilizam o sistema cabalístico como mapa do microcosmo – macrocosmo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O Tarot


Chamado de Livro de Thoth, o tarô é uma referência para qualquer magista, pois através dele e de suas atribuições na Árvore da Vida Cabalística é possível aplicá-lo de forma prática a diferentes situações. O Tarô é constituído de 78 cartas, 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Diz uma lenda que Thoth, o escriba dos outros deuses egípcios, forneceu 22 ilustrações relacionadas aos mistérios dos cultos egípcios. Essas ilustrações, segundo essa lenda acabaram se tornando os 22 Arcanos maiores do tarô. Existem várias lendas a respeito do tarô. Outras dizem que antes da biblioteca de Alexandria ser incendiada, alguns eruditos fizeram desenhos simbólicos contendo os pontos principais da sabedoria iniciática, disfarçando-os em forma de cartas de baralho.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Divinação


Divinação é uma parte importantíssima em qualquer trabalho mágico a ser realizado. Fazendo uma analogia com as nossas tradições afro-brasileiras, assim como um pai ou mãe de santo joga os búzios antes de fazer qualquer trabalho espiritual para saber as possibilidades e energias, da mesma forma o magista usa da arte da divinação para ter uma noção das energias em movimento para a realização do trabalho. E o que seria divinação?
Podemos dizer que divinação é o uso de oráculos para a comunicação com energias em movimento em determinada situação. A divinação também é uma forma de contatar entidades através de oráculos. Caso você faça uso regular de alguma forma de divinação como bola de cristal, I ching, runas, você pode começar a utilizá-la em consonância com seus trabalhos mágickos. A tradição de magia ocidental, influenciada principalmente pela Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), ajudou a estabelecer relações entre a Árvore da Vida Cabalística e os Trunfos do Tarô. Assim, eu aconselho fortemente o uso do tarô, pois é uma ferramenta que engloba todos os conceitos da magia cerimonial.

domingo, 15 de junho de 2008

Uma Estrela...


Interessante eu estar escrevendo sobre este texto justamente à meia noite, banhado pelo próprio sol da meia noite. O velho Aeon de Osíris (Pisces Virgo) é o Aeon do deus sacrificado, conforme alude Frazer em o Ramo Dourado (Golden Bough) em vários momentos da sua obra, explorando sua manifestação nas mais variadas culturas através das encenações da morte e ressurreição do deus e seus efeitos na colheita e nas estações. O Novo Aeon de Hórus (Aquarius Leo) traz justamente a mensagem de que o nosso ponto de vista não é mais centrado unicamente na Terra, na “escravidão”. Nos identificamos com a própria consciência solar. O Sol não morre, os escravos é que não são o Sol e não sabem disso. Não morremos, mas continuamos a brilhar no corpo na Nossa Senhora Nuit. Cada homem e cada mulher é uma estrela, e como tal, senhor e senhora do Universo. A escravidão do velho Aeon é ainda mais clara na mudança oferecida por Crowley no caminho de Shin na árvore da vida. Antigamente referido à carta do Julgamento, o novo Aeon traz já o próprio renascimento e a própria mudança na percepção deste caminho por adeptos filhos do sol que hoje têm uma experiência diferente deste caminho e de suas flamas, assim este caminho e sua descrição no Tarot é referida como Aeon, com o deus do novo aeon, Hórus, sentado em seu trono. Uma boa imagem dos adeptos do novo Aeon. O auto-sacrifício imposto por Peixes dá lugar à expanção e criação de Aquário, e aqui refiro-me também à Estrela no Tarot, regida por Aquário.



Todo homem e toda mulher é uma estrela.

sábado, 14 de junho de 2008

Senhora das Tempestades: Oyá


Oyá ou Iansã, Rainha dos Ventos e Tempestades. Acordei hoje com uma tempestade e não pude deixar de me lembrar da Senhora Oyá.
Conta-se a história que da linhagem da Princesa Ishedale nasceram deusas, mulheres adoráveis pela beleza protetoras dos rios, bosques, matas e montes, conhecidas na teogonia africana por Ayabas que em Yorubá significa “... rainha mulher do rei". Termo honorífico dado às divindades femininas da cultura Yorubana. Dessa linhagem nasceu Oiá-Iansãn.
Oiá é uma mulher selvagem que manifesta-se de várias formas naturais: nos tufões, nos terremotos, nos relâmpagos, no fogo, no rio Níger e nos búfalos. Questionar e descrever as diversas manifestações desta deusa, não é tarefa fácil, pois assim como vento, que tanto pode ser suave como violento, assim é a idéia religiosa da persistência de Oiá. Os iorubás já formulavam palavras cuidadosas sobre Oiá e os outros deuses com os quais ela partilha seu cosmos.
Nos padrões de manifestações da deusa Oiá, verifica-se que ela jamais recusa-se de participar nos enclaves do culto e da cultura ocupados por autoridades masculinas. Ela possuí também, uma língua afiada e tão ágil quanto sua espada. Volta e meia sua boca cospe fogo. É uma revolucionária! Se for excluída, torna-se extremamente violenta. Ela abriu caminho para chegar no panteão iorubá num furacão.
No nosso Brasil, esta deusa chegou nas cabeças de seus adoradores que viajaram acorrentados nos navios negreiros. Oiá, aqui é conhecida como Iansã, que quer dizer "Mãe de Nove". Esta prole que ela deu à luz, representa os nove estuários do rio Níger que deságuam no mar. Mas aqui no Brasil, o nove que seus adoradores cultuam refere-se ao jogo de mistério que ela preside. Por trás da cortina da morte, ela gera nove seres anômalos dos quais o mais novo reentra em nosso mundo com uma estranha voz, um poder de maldição e benção. Mas qualquer que seja o lado do Atlântico que nos encontramos, o nove sempre representará o número de Oiá. Mágico número, que quando multiplicado por qualquer outro, sempre retorna a si próprio nos dígitos alterados do produto.
É importante acrescentar que todas as manifestações culturais de Oiá são africanas. Sua negritude importa histórica, política e cinesteticamente.
Oiá representa ainda, um dos cinco elementos mais importantes para a existência humana: o ar que respiramos. Quando ocorre algo importante, ou alguém nasce ou morre, é através do vento, que ela comunica o acontecimento aos Orixás.
Seu colar de contas é vermelho ou tijolo, o coral por excelência, o monjoló (uma espécie de conta africana, oriunda de lava vulcânica).
Seus símbolos são: os chifres de búfalo, um alfanje, adaga, eruesin (confeccionado com pelos de rabo de cavalo, encravados em um cabo de cobre, utilizado para "espantar os eguns").
A quarta-feira é o dia da semana consagrado a ela. Seu metal é o cobre e sua cor é marrom.
Data de sua festa : 04 de dezembro
Quando se manifesta sobre um dos iniciados, ela está adornada com uma coroa semelhante a dos reis africanos, cujas franjas de conta escondem o seu rosto. Ela traz uma alfanje em uma das mãos e um espanta mosca feito de rabo de búfalo outra.
No Brasil, Oyá é sincretizada com Santa Bárbara e, em Cuba, com Nossa Senhora da Candelária.

Na Cabala podemos dizer que Oyá é regida por Geburah. Seu planeta regente é Marte.

Eparrê Oyá!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sexta feira 13


Uma Sexta Feira 13 ou seja, uma Sexta-feira no dia 13 de qualquer mês, é considerada popularmente como um dia de azar.
Esta
superstição pode ter tido origem no dia 13 de Outubro de 1307, sexta-feira, quando a Ordem dos Templários foi declarada ilegal pelo rei Filipe IV de França; os seus membros foram presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia.
Outra possibilidade para esta
crença está no fato de que Jesus Cristo provavelmente foi morto numa sexta-feira treze, uma vez que a Páscoa judaica é celebrada no dia 14 do mês de Nissan, no calendário hebraico.
Recorde-se ainda que na
Santa Ceia sentaram-se à mesa treze pessoas, sendo que duas delas, Jesus e Judas Iscariotes, morreram em seguida, por mortes trágicas, Jesus por execução na cruz e Judas provavelmente por suicídio.
Antes disso, porém, existem versões que provêm de duas lendas da
mitologia nórdica. Na primeira delas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses. Daí veio a crendice de que convidar 13 pessoas para um jantar era desgraça na certa.
Segundo outra história, a deusa do amor e da beleza era
Friga (que deu origem a frigadag, sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O que é Magia afinal?






Bom, antes de tudo, voltemos ao conceito de magia como dado por Aleister Crowley: “Magia é a arte e ciência de causar mudanças em conformidade com a vontade.” Outra proeminente ocultista do século passado, Dion Fortune, também oferece uma descrição similar a de Crowley, ela afirma que “magia é a arte e ciência de mudar a consciência pela vontade”. De fato independente de qual definição empregamos, a magia funciona “como se houvesse” uma mudança no físico. Magia funciona! Funciona muito mais do que a maior parte das pessoas estaria preparada para admitir. De fato, pouco sabemos sobre a natureza do que consideramos realidade, e muito menos sobre a natureza da matéria. A física quântica cada vez mais vem mostrando a interligação de atos mentais e da matéria.
De fato uma boa analogia que podemos fazer é com a eletricidade. Poucos de nós de fato sabemos como de fato ela é constituída, sua natureza e assim por diante. Porém sabemos que quando ligamos o interruptor ou a televisão ela está definitivamente em ação. Com certeza se alguém da Idade Média visse a maior parte dos equipamentos que utilizamos hoje em dia, certamente nos considerariam adoradores do diabo ou feiticeiros. A questão toda é que a magia é tão real e impalpável quanto a eletricidade. Você pode certamente sentir os efeitos e ter resultados. Pode levar um choque, por exemplo. Em magia é extremamente semelhante, seu uso indevido certamente poderá causar um curto circuito com conseqüências tão ou mais devastadoras que um choque elétrico.
Muitos magistas dividem a magia em três tipos: magia branca, magia cinzenta e magia negra. A magia branca é qualquer ato mágico com o objetivo de atingir elevação espiritual. A principal definição da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) considera magia branca como a arte de causar mudança em conformidade com a vontade com o objetivo de obter a sabedoria e a conversação com o Sagrado Anjo Guardião (SAGA). Em última análise podemos dizer que este é o principal objetivo da magia como caminho espiritual.
Magia cinzenta é definida como a arte de causar mudanças em conformidade com a vontade para provocar mudanças positivas físicas ou não físicas em si mesmo, nos outros ou no ambiente em geral. E magia negra, por sua vez, a arte de causar mudanças negativas físicas ou não em si mesmo, nos outros ou no ambiente.
A moralidade em relação à magia é algo extremamente relativo. Assim, cabe ao magista decidir o que é certo para ele, uma vez que positivo ou negativo dependem inteiramente de contexto, motivação e assim por diante. Na tradição mágicka não existe nenhum tipo de problema em utilizar quaisquer poderes mágickos adquiridos para causar mudanças de acordo com a sua vontade. Cabe ressaltar que para conseguirmos concentrar poder temos de nos envolver energeticamente com a energia gerada, assim qualquer tipo de ato que busque deliberadamente prejudicar alguém terá um efeito em nós, uma vez que teremos que “negociar” com essas energias. Assim, é importante que você assuma total responsabilidade por qualquer energia com a qual esteja trabalhando. Este é um ponto muito importante.
Trabalhar com magia é assumir a responsabilidade pelas suas próprias ações e seus resultados. Ao invés de projetar a responsabilidade nos outros, o magista assume total responsabilidade por seus atos. Assim, uma grande dose de coragem é necessária para o trabalho em magia, pois nem sempre é fácil ser “você mesmo” e assumir as conseqüências das suas escolhas e ações.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

As táticas de Magick (Robert Anton Wilson)



A tradução deste ensaio não é das melhores, porém as contribuições de Robert Anton Wilson são claras mesmo numa tradução não tão clara, digamos assim.






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A ideia mais importante do Livro da Magia Sagrada de Abra-Melin o Mago é a fórmula aparamente simples "Invo­car muitas vezes."
Na Teoria do Comportamento, de Pavlov, Skinner, Wolpe. etc., a forma mais conseguida de tratamento para as chamadas doenças mentais pode muito bem ser resumida em três palavras semelhante: "Reforçar muitas vezes." (Para to­dos os efeitos práticos, "reforçar" significa aqui o mesmo que o termo do leigo "recompensar") A essência da Teoria do Comportamento é recompensar o comportamento; a medida que se sucedem as recompensas, o comportamento de­sejado começa ocorrer com cada vez maior frequência, "como por magia."
Como todos sabem, a publicidade baseia-se no axioma "Repetir muitas vezes."
Aqueles que se consideram "materialistas," e que julgam que o que o "materialismo" lhes exige a negação de todos os factos não conformes com a sua definição de "matéria", sentem-se naturalmente relutantes em admitir a lista extensa e bem documentada de indivíduos que foram curados de doen­ças graves por essa forma de magick tão vulgar e absurda conhecida por ciência cristã. Não existe nenhuma diferença essencial entre a magick a Terapia do Comportamento, a publi­cidade e a ciência crista. Todas elas podem ser condensadas na fórmula simples de Abra-Melin, "Invocar muitas vezes."
A realidade é termo-plástica e não termo-estável. Ela não totalmente disparatada, corno o senhor Paul Krassner certa vez afirmou, mas encontra-se omito mais perto disso do que geralmente supomos Se nos disserem vezes suficientes que "Budweiser a rainha das cervejas,” a Budweiser aca­bará por saber um nadinha melhor e talvez mesmo multo melhor do que antes desse encantamento ter sido lançado. Se um terapeuta do comportamento a soldo dos comunistas o recompensar de cada vez que você repetir um slogan comu­nista. você começará a repeti-lo mais veres, passando a apro­ximar-se do mesmo tipo de crenças que os cientistas cristãos usam para os seus mantras. E se um cientista cristão repetir para si próprio todos os dias que a sua úlcera lá desaparecer, ela desaparecerá mais rapidamente do que sucederia se ele nunca se tivesse enjeitado a esta campanha caseira de publici­dade. Finalmente, se um mágico evocar vezes suficiente o Grande Deus Pã, o Grande Deus Pã acabará por surgir, do mesmo modo como o comportamento heterossexual a surgir em homossexuais que estejam a ser tratados (alguns diriam maltratados) através da terapia do comporta­mento.
O oposto e recíproco de "Invocar muitas vezes" é "Banir muitas vezes"
O mágico que deseje uma manifestação de Pã não apenas invocará Pã directa e verbalmente, como também cria­rá ambientes de Pã no seu tempo, reforçando as associações com Pã em todos os seus gestor, e usando peças de mobiliário, cores e perfumes associados com Pã, etc.; mas também bani­rá verbalmente todos os outros deuses, através da remoço das mobílias, cores e perfumes associados com eles. e banindo-os também de todos os outros modos possíveis. O terapeuta do comportamento chama a este procedimento de "reforço negativa" e, ao tratar um doente com, a fobia dos elevadores, não apenas reforçará (recompensará) todas as situações era que o paciente andar de elevador sem evidenciar terror, como tam­bém reforçará negativamente (castigará) todas as indicações de terror evidenciadas pelo doente. Evidentemente, o cientista cristã usa rnantras ou encantamentos que, simultaneamen­te, reforçam a saúde e reforçam negativamente (afastam) a doença. Dum modo semelhante, um anuncio publicitário não apenas motiva o consumidor para o produto do patrocinante, como desencoraja também o interesse por todos os “falsos deuses,” reduzindo-os à desprezada e desprezível Marca X.
O hipnotismo, o debate e inúmeros outros jogos apre­sentam todos o mesmo mecanismo: Invocar muitas vezes e Banir muitas vezes.O leitor que estiver interessado em alcançar uma com­preensão mais profunda desta questão poderá consegui-la aplicando na prática estes princípios. Faça esta experiência muito simples. Durante quarenta dias e quarenta noites, comece cada dia invocando e glorificando o mundo como se ele fos­se uma expressão das divindades egípcias. Recite de madrugada:

Abençoo Ra, o brilhante e quente sol

Abençoo Isis-Luna na noite

Abençoo o ar, o falcão de Hórus

Abençoo esta terra em que caminho

Repita ao nascer da Lua. Prossiga durante os quarenta dias e quarenta noites. Garantimos sem quaisquer reservas que, no mínimo, o leitor se sentirá mais contente e mais em casa neste canto da galáxia (e compreenderá também melhor a ati­tude dos índios americanos para com o nosso planeta); no má­ximo, obterá recompensas muito para além das suas expectati­vas, convertendo-se ao uso deste mantra para o resto da sua vi­da. (Se os resultados forem excepcionalmente bons, poderá mesmo começar a acreditar nas antigas divindades egípcias.)
Uma selecção de técnicas mágicas incapazes de ofen­der a razão de qualquer materialista pode ser encontrada em You Are Not the Target (que poderoso mantra é este título!) de Laura Archera Huxley, Gestalt Therapy de Perls, Hefferline e Goodman, e Mind Games de Masters e Houston.
Evidentemente, tudo isto se resume à programação da nossa própria realidade através da manipulação de aglomera­dos apropriados de palavras, sons, imagens e energia emocional (prajna). Mas a faceta da magick que mais desconcerta, espanta e escandaliza a mentalidade moderna é aquela em que, agindo á distância, o operador programa a realidade de outra pessoa. Para este tipo de mentalidade, a afirmação de que seria possí­vel programar uma dor de cabeça para o presidente dos Esta­dos Unidos pareceria incrível e insultuosa. Pessoas assim pode­riam aceder em que essa manipulação de energia fosse possível caso o presidente estivesse informado dos nossos propósitos, mas nunca aceitariam que o feitiço funcionasse também se o seu receptor não se encontrasse consciente da maldição.
Sendo assim, o materialista afirmará então que todos os casos em que, nestas condições, a magia parece resultar, não passam de ilusões, enganos, alucinações, “coincidências,” má compreensão, "sorte," acidente ou pura fraude.
Ao tomar esta atitude, o materialista não parece com­preender que ela equivale a afirmar que, afinal, a realidade é mesmo termo-plástica - pois está a admitir que muitas pessoas vivem em realidades diferentes da sua. Mas em vez de o deixar­mos debatendo-se com esta auto-contradição, sugerimo-lhe que consulte Psychic Discoveries Behind the Iron Curtain, de Óstrander e Schroeder - e especialmente o capítulo 11, "Dos Animais à Cibernética: A Procura duma Teoria da Psi." Poderá então perceber que, quando a matéria acabar por ser totalmen­te compreendida, não existe nada que um materialista precise de rejeitar na acção mágica á distância, que está a ser ampla­mente explorada por cientistas afectos à rígida causa do mate­rialismo dialéctico.
Aqueles que têm mantido vivas as antigas tradições da magick, como a Ordo Templi Orientalis, compreenderão que o segredo essencial é sexual, e que podemos encontrar mais luz nos escritos do Dr. Wilhelm Reich do que nas actuais pesquisas soviéticas. Mas o Dr. Reich foi encarcerado como tolinho pelo governo americano e não nos passaria pela cabeça pedir aos nossos leitores que considerem a hipótese do governo america­no alguma vez se haver enganado.
Qualquer psicólogo adivinhará imediatamente os si­gnificados simbólicos mais prováveis da Rosa e da Cruz; mas nenhum psicólogo dedicado à pesquisa psi parece ter alguma vez aplicado esta chave na decifração dos textos mágicos tradi­cionais. A mais antiga referência à franco-maçonaria em inglês surge em "Muses Threnody” de Anderson, 1638:
Porque nós somos irmãos da Cruz Rosada
Nós temos a Palavra Maçónica e a segunda visão (1)
mas nenhum parapsicólogo seguiu ainda a pista evidente conti­da nesta conjunção da rosa vaginal, a cruz fálica, a palavra da invocação e o fenómeno da projecção do pensamento. Parte desta cegueira pode ser explicada pelos tabus contra a sexuali­dade que ainda se encontram latentes na nossa sociedade; sen­do a outra parte o medo de abrir a porta ás formas de paranóia mais insidiosas e subtis. (Se a magick pode funcionar à distân­cia, diz o pensamento reprimido, qual de nós se encontra segu­ro?) Um estudo profundo e objectivo da histeria anti-LSD na América iluminará melhor os mecanismos de evitamento aqui discutidos.
O racionalista descobrirá evidentemente ainda outras ofensas e afrontas no estudo mais aprofundado da magick. To­dos sabemos, por exemplo, que as palavras não passam de con­venções arbitrárias sem nenhuma ligação intrínseca com as coisas que simbolizam. No entanto, a magick utiliza as palavras de tal modo que parece implicar a existência de alguma co­nexão, ou mesmo identidade, deste tipo. Se o leitor se encon­trar disposto a analisar alguns exertos de linguagem geralmen­te não considerados como mágicos, poderá conseguir descobrir parte da resposta. Por exemplo, o padrão 2 + 3 do “lo Pan! lo Pan Pan!” de Crowley não difere muito do 2 +3 de “Santa Ma­ria, Mãe de Deus.” Assim, quando um mágico nos diz que. no momento mais intensamente emocional da evocação, devemos gritar “Abracadabra” e nenhuma outra palavra, ele está a exa­gerar; poderíamos utilizar outras palavras; mas faremos abor­tar os resultados se nos afastarmos muito do ritmo pentatónico de “Abracadabra.”
O que nos trás de volta à teoria mágica da realidade.
Escreve o Mahatma Guru Sri Paramahansa Shivaji em Ioga para Tolinhos:

Consideremos um pedaço de queijo. Dizemos que ele tem certas qualidades, como forma, estrutura, cor, so­lidez, sabor, cheiro, consistência e outras mais; mas a investigação demonstrou que elas são todas ilusórias. Onde se encontram então estas qualidades? Não no queijo, pois observadores diferentes farão descrições delas muito diferentes. Em nós também não, pois não as sentimos na ausência do queijo.

Que qualidades serão então essas sobre as quais nos sentimos tão certos? Elas não existiriam sem os nos­sos cérebros; não existiriam sem o queijo. São o resul­tado da união, isto é, do Ioga, daquilo que vê e daqui-lo que é visto, do sujeito e do objecto...
Um físico moderno não encontraria aqui motivo para discórdia; e esta é a teoria mágica do universo. O mágico assu­me que a realidade sentida - o conjunto de impressões filtra­das pelos sentidos e processadas pelo cérebro - é radicalmente diferente da chamada “realidade objectiva.” Como dis­se William Blake, “O louco não vê a mesma árvore que o sábio vê.” Sobre a realidade supostamente “objectiva” pouco mais podemos fazer do que especular ou elaborar teorias que, se formos muito cuidadosos e subtis, não contradirão nem a ló­gica nem os relatos dos sentidos. Esta falta de contradição é a lógica; existem sempre algumas divergências entre a teoria e a lógica, ou entre a teoria e os dados dos sentidos. Por vezes pas­sam-se séculos sem essas divergências serem descobertas (por exemplo, o afastamento de Mercúrio em relação ao cálculo newtoniano da sua órbita). E, mesmo quando é alcançada, esta falta de contradição prova apenas que a teoria não é totalmen­te falsa. Em caso algum prova que a teoria é totalmente verda­deira - pois, a partir dos dados disponíveis em determinada al­tura é possível construir um número indefinido de teorias. Por exemplo, as teorias de Euclides, de Gauss e Riemann, de Lobachevski e de Fuller resultam todas razoavelmente bem na superfície da Terra. Quanto ao espaço interestelar, não se tem ainda a certeza se o sistema que resulta melhor é o de Gauss­-Riemann ou o de Fuller.
Ora, se dispomos assim de tanta liberdade para esco­lher as nossas teorias sobre a “realidade objectiva,” seremos ainda mais livres no aspecto da decifração da realidade sentida. A pessoa média vê como foi ensinada a ver - isto é, como foi programada pela sociedade. O mágico é um auto-programador. Usando a invocação e a evocação - que, como mostramos aci­ma, são funcionalmente idênticas ao auto-condicionamento, à auto-sugestão e à hipnose - ele selecciona ou orquestra, co­mo um artista, a realidade sentida. (É evidente que, inconscien­temente, todos procedemos assim; ver o parágrafo sobre o queijo. O mágista, agindo conscientemente, controla esse processo.)
______
Nota:
(1) N. do T. - No original, “For we be brethren of the Rosey Cross / We have the Mason Word and second sight."
Bibliografia: Robert Anton Wilson, O Livro dos Illuminati.Editora Via Óptima, Porto, 1º edição, Dezembro de 1985.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Começando do ZERO: Magia







A magia é em certa forma uma ciência, existem métodos precisos que quando repetidos nas mesmas condições de fato produzem os resultados desejados. Mas diferentemente da ciência positivista, o envolvimento do “cientista” em qualquer prática mágica é fundamental. Pois a mente é um dos ingredientes de qualquer trabalho mágico: na verdade o mais importante deles. O proeminente ocultista do início do século Aleister Crowley definia a magia como “ a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a vontade”. Esta de fato é a melhor definição possível de magia, e magia e a arte trabalham juntas produzindo estados emocionais deliberadamente. Estados de consciência que alteram a nossa percepção dos fenômenos, das outras pessoas e de nós mesmos. Uma música, um livro, um poema, um filme: todos possuem o poder de produzir estados emocionais e “realidades”. Respondemos a eles emocionalmente. A magia, neste sentido, busca produzir estados emocionais deliberadamente através do uso de rituais e técnicas que possibilitam com que a mente experiencie resultados que, se devidamente direcionados através de atos mágicos, se manifestarão fisicamente.
Por que assistimos a um filme? A maior parte dos filmes são pura ficção. Porém, durante a exibição ficamos plenamente envolvidos com a situação e muitas vezes reagimos emocionalmente nos identificando com os personagens e com a trama da história que está se desenrolando. A mitologia sempre fez parte da psique humana como forma de exacerbar, dramatizar e concentrar dramas universais humanos, que até hoje continuam a ser exibidos em novas roupagens nos nossos filmes, séries, livros. Talvez as Amazonas de hoje estejam mais tecnológicas e com nuances da personagem principal de Tomb Raider. Porém, mesmo assim os elementos nucleares, ou arquétipos, ainda continuam se manifestando nas nossas narrativas atuais.
E como a magia se encaixa nisso? Justamente trazendo para a “realidade”, seja lá o que esta palavra de fato significa, todas essas energias latentes em qualquer representação, situação ou emoção humanas. Nesta altura você deve estar pensando que entrou no blog errado, e que ao invés de um ensaio sobre magia, está lendo um ensaio sobre teatro e dramatização. Não se preocupe, você está no lugar certo. Na Arte Mágicka (grifada com k para diferenciar da mágica executada por ilusionistas) nós invocamos conscientemente essas energias para se manifestarem na nossa vida, nas pessoas ao nosso redor e nas situações do nosso dia-a-dia. Ao invés de meramente dramatizar, nós de fato permitimos que essas entidades e energias ajam diretamente na nossa realidade. Neste sentido que acima de tudo, a magia é uma Arte.



Nos próximos posts entenderemos melhor tudo isso!