
Oyá ou Iansã, Rainha dos Ventos e Tempestades. Acordei hoje com uma tempestade e não pude deixar de me lembrar da Senhora Oyá.
Conta-se a história que da linhagem da Princesa Ishedale nasceram deusas, mulheres adoráveis pela beleza protetoras dos rios, bosques, matas e montes, conhecidas na teogonia africana por Ayabas que em Yorubá significa “... rainha mulher do rei". Termo honorífico dado às divindades femininas da cultura Yorubana. Dessa linhagem nasceu Oiá-Iansãn.
Oiá é uma mulher selvagem que manifesta-se de várias formas naturais: nos tufões, nos terremotos, nos relâmpagos, no fogo, no rio Níger e nos búfalos. Questionar e descrever as diversas manifestações desta deusa, não é tarefa fácil, pois assim como vento, que tanto pode ser suave como violento, assim é a idéia religiosa da persistência de Oiá. Os iorubás já formulavam palavras cuidadosas sobre Oiá e os outros deuses com os quais ela partilha seu cosmos.
Nos padrões de manifestações da deusa Oiá, verifica-se que ela jamais recusa-se de participar nos enclaves do culto e da cultura ocupados por autoridades masculinas. Ela possuí também, uma língua afiada e tão ágil quanto sua espada. Volta e meia sua boca cospe fogo. É uma revolucionária! Se for excluída, torna-se extremamente violenta. Ela abriu caminho para chegar no panteão iorubá num furacão.
No nosso Brasil, esta deusa chegou nas cabeças de seus adoradores que viajaram acorrentados nos navios negreiros. Oiá, aqui é conhecida como Iansã, que quer dizer "Mãe de Nove". Esta prole que ela deu à luz, representa os nove estuários do rio Níger que deságuam no mar. Mas aqui no Brasil, o nove que seus adoradores cultuam refere-se ao jogo de mistério que ela preside. Por trás da cortina da morte, ela gera nove seres anômalos dos quais o mais novo reentra em nosso mundo com uma estranha voz, um poder de maldição e benção. Mas qualquer que seja o lado do Atlântico que nos encontramos, o nove sempre representará o número de Oiá. Mágico número, que quando multiplicado por qualquer outro, sempre retorna a si próprio nos dígitos alterados do produto.
É importante acrescentar que todas as manifestações culturais de Oiá são africanas. Sua negritude importa histórica, política e cinesteticamente.
Oiá representa ainda, um dos cinco elementos mais importantes para a existência humana: o ar que respiramos. Quando ocorre algo importante, ou alguém nasce ou morre, é através do vento, que ela comunica o acontecimento aos Orixás.
Seu colar de contas é vermelho ou tijolo, o coral por excelência, o monjoló (uma espécie de conta africana, oriunda de lava vulcânica).
Seus símbolos são: os chifres de búfalo, um alfanje, adaga, eruesin (confeccionado com pelos de rabo de cavalo, encravados em um cabo de cobre, utilizado para "espantar os eguns").
A quarta-feira é o dia da semana consagrado a ela. Seu metal é o cobre e sua cor é marrom.
Data de sua festa : 04 de dezembro
Quando se manifesta sobre um dos iniciados, ela está adornada com uma coroa semelhante a dos reis africanos, cujas franjas de conta escondem o seu rosto. Ela traz uma alfanje em uma das mãos e um espanta mosca feito de rabo de búfalo outra.
No Brasil, Oyá é sincretizada com Santa Bárbara e, em Cuba, com Nossa Senhora da Candelária.
Na Cabala podemos dizer que Oyá é regida por Geburah. Seu planeta regente é Marte.
Eparrê Oyá!
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